Engorda de Ponta Negra: adaptação de praia pode levar de 6 meses a 1 ano

26 de Março 2025 - 06h47
Créditos: Reprodução


Um dos principais especialistas em engordas de praias do Brasil, Luís Parente foi um dos palestrantes do II Seminário Estadual de Saneamento Ambiental do Rio Grande do Norte, promovido na terça-feira (25). Parente explicou, durante a sua fala, que o período de adaptação da praia de Ponta Negra em relação à engorda levará de 6 meses a 1 ano. De acordo com o especialista, os problemas pelos quais a orla vem passando são “normais”. 

O evento, promovido pela Mútua-RN e pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes-RN), reuniu também especialistas do Confea-RN e do Crea-RN com o objetivo de propor soluções técnicas para problemas, como os recentes alagamentos na faixa de areia da Praia de Ponta Negra.

“Até que esse nível do mar, bater na areia, ele se transforme, distribua e torne aquilo natural, você leva de seis meses a um ano. E as pessoas com um mês, já querem tudo pronto. Quero tranquilizar, dizer que mesmo sendo um problema, é normal. Nós estamos mexendo com a natureza, e a natureza é imprevisível. Mostrei todos os projetos que foram feitos, e possíveis soluções que foram adotadas em outras praias que também fizeram o aterramento”, complementa o especialista.

Responsável técnico por projetos de contenção costeira em cidades como Fortaleza e Natal, incluindo o próprio enrocamento de Ponta Negra, ele considera que a adaptação é um dos principais desafios em obras de engorda. “Normalmente, logo depois do início, você tem um problema, que todos passaram, que é o problema de adaptação”, diz Parente, que é cientista-chefe da Secretaria de Infraestrutura do Governo do Estado do Ceará.

A secretária de Infraestrutura de Natal, Shirley Cavalcanti, destaca a relevância do evento como instrumento de transparência e de diálogo técnico com a sociedade. Ela defende a obra da engorda como resultado de um projeto detalhado e afirmou que os alagamentos registrados são efeitos dentro do previsto.

Para Shirley, a obra foi executada de forma técnica, mas o debate permanece aberto para evoluções futuras. “Nada impede que se estude e crie novas alternativas para que a gente melhore, busque sempre o melhor para Ponta Negra. A gente precisa ter esse olhar para questões de drenagem, saneamento, inclusive esse olhar fiscalizador daquela área”, defende. “Que a gente não pode, de jeito nenhum, ter as ligações clandestinas, as contribuições de água servida na nossa drenagem, nem a nossa drenagem nas redes de esgoto, então é uma discussão que ela só vem a acrescentar e melhorar o nosso cenário técnico”, completou.

O diretor-geral da Mútua-RN, Márcio Sá, organizador do seminário, disse que o objetivo do evento é afastar as interpretações políticas sobre o tema e centrar o debate nas soluções técnicas. Para ele, é papel das entidades de classe promover um ambiente qualificado para que a engenharia seja o caminho para resolver os problemas das cidades. 

O diretor administrativo da Mútua-RN, Gilbrando trajano, explica que a obra de engorda expôs um problema anterior, que já fazia parte da dinâmica urbana da capital. “E esse é um grande desafio que Natal passa, sobretudo quando é evidenciado com as questões da engorda de Ponta Negra, onde há conflitos entre a perspectiva da drenagem e a perspectiva do esgotamento sanitário. A gente tem que entender que, de fato, a gente só tem saneamento quando esses quatro pilares estão integrados e funcionando bem”, declara o engenheiro ambiental.

Com informações de Tribuna do Norte

Clique aqui e
receba nossas notícias gratuitamente!